Na maior parte do mundo, há um dia do ano dedicado a relembrar os
mortos. No Brasil, assim como em todo o ocidente, o dia escolhido é
2 de novembro. As formas e expressões culturais de como se fazer
esta celebração difere em muitos lugares. Há países que fazem
festa pelos mortos. Há outros que meditam de forma mais contida.
Outros ainda visitam os túmulos de seus mortos neste dia. As formas
são variadas, mas o objetivo deveria ser sempre o mesmo: lembrar, ao
olhar para quem já se foi, de como a vida é efêmera, como não há
exceção, em nenhum de nós, para esta realidade: que todos nos
encontraremos com a morte.
Ao olhar isto, deveria ser claro o sentimento de valorização, de
urgência de realização que deveria nos cercar. Deveríamos pensar
em nossa vida, na sua limitação, tanto temporal quanto
circunstancial e valorizar mais o que temos aqui e agora.
Ao visitar um morto que havia sido rico em vida, percebemos que sua
riqueza, neste momento após sua morte, não faz diferença nenhuma.
Da mesma forma, se o morto foi pobre, agora ele está no mesmo lugar
que aquele que fora rico.
Ao visitar alguém que trabalhou sem parar para ter esta mesma
riqueza, vemos que ele está no mesmo lugar daquele que além de
trabalhar para seu sustento em vida, também esteve com sua família
e pôde cultivar boas amizades.
Ao chegar-se ao túmulo de um atleta profissional, que passou seu
tempo cultivando seu corpo, ou de alguém vaidoso, que gastava horas
e dias procurando melhorar sua aparência, percebemos que estas
pessoas estão na mesma condição daquele que viveu de qualquer
jeito.
Alguém pode olhar tudo isso e chegar à conclusão de que “não
importa o que eu faça, na minha morte, serei igual a qualquer um”.
E, de certa forma, por um lado, isso é verdade.
Mas também posso chegar à conclusão de que tudo o que eu faço
nesta vida, tem efeito apenas durante a vida. Porque, na morte, tudo
o que eu faço aqui não fará diferença para o meu corpo físico,
na morte. Porque, depois de morto, o pobre e o rico, o saudável e o
enfermo, o ébrio e o sóbrio, o homem e a mulher, o negro e o
branco, o intelectual e o analfabeto, todos terão seus corpos
colocados no mesmo lugar.
Esta é uma reflexão importante. Para não nos apegarmos demais a
coisas que ficam por aqui. Porque o fim de todos, neste aspecto é o
mesmo.
Mas isto me leva a outra reflexão. O que, então, faz diferença,
depois da morte, no que se refere às minhas escolhas e atitudes
durante a vida? Olhando para quem morreu, seja há 1, 5 ou 10 anos,
ou mesmo há séculos, o que ficou desta pessoa que morreu?
Certamente não foi o corpo, por mais que ele tenha sido preservado.
Mas o que ficou para os outros foi o seu legado. O que fica de alguém
que parte é aquilo que faz diferença na vida dos outros, da
sociedade, do mundo. O que fica de um professor que morreu são os
milhares de alunos que ele ajudou a formar na vida. O que fica de
pais que morreram, foi o que eles ensinaram a seus filhos. O que fica
de um grande estadista, depois de sua morte, foi o que ele deixou de
transformações e benefícios para o povo que ele governou.
O legado é o que fica aos outros daquilo que fizemos em vida. E isso
nos leva a pensar que devemos sempre fazer o melhor, pensando no
todo, não apenas em nós. Mas, a começar de nós, pensando na nossa
família, no nosso bairro ou cidade. Nos futuros cidadãos e o que
podemos deixar para todos estes, ou apenas alguns destes, que possa
melhorar suas vidas, fazê-los lembrar de nós de uma forma saudável,
boa, alegre. Da vida que vivemos, o legado que deixamos é o que fica
para os outros. Ao pensar neste dia, quem já foi, devemos refletir
se estamos fazendo nosso melhor em prol do nosso próximo e refletir
se a vida que estamos vivendo está valendo a pena.
E, como não adianta pensar nisso após nossa morte, porque depois de
passarmos para o lado debaixo da terra, não há nada mais que
possamos fazer, então refletir neste dia dos mortos sobre a vida
daqueles que já se foram, deveria nos fazer pensar em nossas
atitudes atuais, de nossas vidas e descobrir se estamos realmente no
caminho certo.
Esse é um bom motivo de reflexão no dia dos mortos para aqueles que
estão vivos.
Mas ainda há uma outra consequência na qual devemos refletir. Além
do nosso corpo, existe aquilo que nos fazia ficar vivos, que mantinha
o corpo ativo e vivo. Nossa alma, nosso espírito, depois de deixar
nosso corpo, permite inclusive a deterioração deste. Porque o que
conferia vida ao corpo não era ele próprio. Mas algo que permanece,
mesmo depois que o corpo não permaneça mais.
Nossa alma, nosso espírito, terão uma continuidade após a vida
corporal. E, o que fazemos com nossa vida, com nosso corpo, durante a
vida, é o que determina o destino para onde irão nossa alma e nosso
espírito. Então vale também, neste momento, uma reflexão: o que
estou fazendo da minha vida compromete meu destino eterno?
Esse momento, de pensar na morte para podermos também nortear nossa
forma de vida, é muito importante. Ter um momento de reflexão
desses por ano pode ser muito frutífero, se o feriado não for
apenas uma opção de descanso, mas sim de reflexão.
Lucas Durigon
se gostou deste, compartilhe clicando abaixo
e clique em “seguir” ao lado para acompanhar novas publicações.
___________________________________________
um novo artigo por mês, neste blog
veja mais conteúdos, no meu site:
https://lupasoft.com.br/LucasDurigon/
Se desejar dar uma contribuição:
Para apoiar nosso trabalho de publicações:
clique no link: https://pag.ae/7WFcJzaKv
ou faça um PIX pela chave: lucas@lupasoft.com.br
Sou muito grato por isso. Que Deus lhe abençoe.