segunda-feira, 21 de março de 2022

Nem tudo é relativo

a relatividade moral está passando dos limites,
principalmente das idades. 
nossos sentimentos receberam uma camada protetora
que nos impede de sentir essas mazelas humanas
e chorar por isso.
 
 



É o fim do mundo. O fim da picada. Não tem mais jeito.

Há alguns anos ouço expressões como essas relacionadas a tudo o que anda acontecendo no mundo, desde situações econômicas calamitosas, anos de fome em países que sofrem com guerras civis e secas. Passamos os dias vendo “Etiópia”, “Somália”, “Nordeste Brasileiro”, “Kossovo”, “Sequestro Relâmpago”, “Bósnia”, “Tráfico de drogas”, “Faixa de Gaza”.

Sem sair do Brasil assistimos, barbarizados, filhas e filhos matando pais (que mais parece o cumprimento de um vaticínio bíblico); polícia correndo de bandido (e é a polícia na frente e o bandido atrás); crianças sem respeito a professores, chegando a matá-los! E, parece que isso tudo não nos impressiona mais, parece que estamos acostumados, parece que fomos cauterizados, nossos sentimentos receberam uma camada protetora que nos impede de sentir essas mazelas humanas e chorar por isso. Ao assistir o noticiário, é só “mais um caso”. Repetimos “é o fim da picada” como que por hábito, pois aprendemos a falar assim.

O que aconteceu? Como chegamos neste ponto? Onde tudo começou? É claro que não tenho as respostas (alguém tem?). Mas uma coisa é certa, e pode ser um dos motivos e estar prejudicando: a relatividade moral está passando dos limites, principalmente das idades. Tudo bem que se diga, a um universitário, que ele deve escolher o caminho a seguir, pois (espera-se), tem informação suficiente sua mente que o permite analisar situações e tomar decisões que façam dele a pessoa que é.

Mas querer que uma criança, um adolescente, tenha condições de tomar decisões que abrangem o convívio com outras pessoas, que dizem respeito à liberdade do próximo e não mostrar a esta criança/adolescente que a sua liberdade termina onde começa a do outro é dar um tiro no pé. É a destruição da sociedade, da família. E a consequência disto, estamos vendo, estamos lendo e com esta consequência estamos nos surpreendendo! Mas será que ninguém percebia que este seria o desfecho natural das coisas, dada a educação que está sendo praticada?

Não somente na escola. Mas em casa, entre os “amigos”. Em todo lugar, a criança é exposta a uma enxurrada de informações que deterioram seu caráter. Aos poucos.


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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Cada um cuida de sua própria vida?!

Puxa, sem perceber muitas vezes, estamos entrelaçados
de forma a não termos o direito de sermos individuais.
Deus nos criou para sermos comunidade, para sermos família.
 




Ultimamente, temos criado o hábito de nos isolar. De viver nossa vida sem dar nem pedir satisfação a ninguém por nada. Ficamos ofendidos (e alguns dizem ser falta de educação, fora dos padrões de etiqueta) quando alguém vem “meter o bedelho” em nossas vidas e nos tolhemos a fazer isso a alguém.

Muitas vezes recebo via internet, estórias de pessoas que sofreram por causa de motoristas bêbados que causaram acidentes, envolvendo pessoas que estavam viajando com a família ou passeando sóbrios durante o dia, que nada tinham a ver com as peripécias do bêbado e que tiveram sua vida e (não poucas vezes) sua família estraçalhadas.

Muita conscientização pela internet tem sido feita no sentido de mostrar que uma pessoa bêbada, quando dirige, não é responsável apenas pela sua própria vida. Ela põe em risco a vida de terceiros. Muitos acidentes já ocorreram dessa forma, prejudicando não só aquele que escolheu beber e se arriscar, mas também prejudicando pessoas que estavam vivendo suas vidas de forma calma e tranquila, até aquele momento.

Puxa, sem perceber muitas vezes, estamos entrelaçados de forma a não termos o direito de sermos (totalmente) individuais. Deus nos criou para sermos comunidade, para sermos família. A tentativa de nos tornar autossuficientes, independentes (acentuadamente na tônica feminista deste último século) tem causado muitos dos problemas da vida moderna que passamos. Queremos ser livres, como se liberdade fosse viver livre do próximo, do vizinho, do parente... E não percebemos que isto é impossível. Mesmo se vivêssemos numa ilha deserta, dependeríamos de que ninguém, em nenhum momento, decidisse ir nos visitar. Assim, dependeríamos, mesmo nesta situação, da boa vontade dos demais.

Considerando as licenças poéticas e os exageros das estórias que circulam pela internet, ainda fica uma porção considerável de assunto para refletir. Uma pergunta paira no ar, nessa situação: se um bêbado quiser dirigir e eu puder, de alguma forma impedi-lo, devo fazer isso ou devo deixar ele cuidar da própria vida?! 

Será que temos o direito de (não apenas nesta questão, mas em outras) deixar que cada um decida por si em situações que prejudicam a todos? 

Estamos nos acostumando a não “meter o bedelho” na vida dos outros e ver nossas crianças, adolescentes e jovens sendo levados por traficantes, cafetões e outros aproveitadores, simplesmente porque não quisemos, quando tivemos oportunidade, “meter o bedelho” na vida do traficante, denunciar, ou segurar o bêbado pela mão quando ele ia entrar no carro. Talvez algumas vidas fossem poupadas, algumas famílias estivessem inteiras, se não ficássemos olhando apenas para nossos umbigos.

A Bíblia diz que aquele que poderia fazer o bem e não o faz, é tão pecador quanto aquele que faz o mal. A omissão, para Deus, é tão grave quando a ação. Não é certo esta posição de que devemos cuidar de nossas próprias vidas, sem nos importar com o próximo. Mas é necessário ter sabedoria e discernimento para saber quando agir na vida do outro para o bem de todos.


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Humanos de silicone

Mas examinar-se a si mesmo é muito profundo, muito revelador, muito assustador. 

E espanta muita gente. 

É mais fácil, e as pessoas preferem colocar uma maquiagem ou máscara e fingir ser aquilo que todos gostam. 


Ouvi, numa reportagem na televisão tempos atrás, sobre o fato do Brasil ser um dos países que mais faz operações para implantes de próteses de silicone nos seios de mulheres. Em entrevista, uma delas disse que o fazia por motivos de vaidade, porque “o que vem da frente é o que impressiona”. Isso demonstra a intenção dela em impressionar o sexo oposto pela sua aparência.

É um sintoma dos tempos modernos. Os relacionamentos baseados quase que exclusivamente na aparência exterior e na estética são relacionamentos passageiros ou do tipo fast food. Antes, o que impressionava era o caráter.

Isso tudo já acontecia antes do advento e domínio das redes sociais sobre os relacionamentos. A superficialidade e a velocidade dos relacionamentos foi alçada a altitudes estratosféricas depois daquela reportagem que assisti.

Hoje, nas redes sociais, todos querem aparecer, mostrar-se ao mundo, pelo menos ao seu mundo particular de influência, seus seguidores, amigos, “haters” etc etc etc. E, para se mostrar bem, independentemente de ser verdade, faz-se uma maquiagem, muda-se um estilo, uma roupa, um sorriso forçado, ou seja, qualquer coisa externa que mostre que a realidade da vida não é tão dura assim. Pelo menos não que se venha a admitir na frente dos outros.

Sim, essa é a moda, essa é a tônica: necessário é aparecer-se de um jeito que venha a ser aprovado por outros. Que venha a ser admirado e gere muitas curtidas, likes, corações, estrelas etc.

Talvez todos que se deixaram levar por essa lógica, não conheçam mais a essência de si mesmos. Já não saibam o que é autenticidade. Já não consigam mais se definir. Se alguém perguntasse para essa pessoa “quem é você?”, talvez já não encontrasse palavras.

Relacionamentos superficiais não trazem satisfação pessoal real. Necessidade de aparecer e justificar o próprio sentimento a outros não gera alegria verdadeira.

Muitos hoje são humanos de silicone. Não fazem uma cirurgia, mas se injetam de uma aparência artificial para se apresentar perante a sociedade. E já se perdem e nem sabem mais quem são. Um dia, a grande preocupação de filósofos, de doutrinas religiosas era levar as pessoas a refletirem para conhecerem-se a si mesmas. Diziam que a realização plena do ser só poderia ser alcançada em se conhecer a si mesmo. Deus, ao ensinar ao homem pela sua palavra, deixa claro que só podemos nos encontrar quando encontramos a Ele. Mas examinar-se a si mesmo é muito profundo, muito revelador, muito assustador. E espanta muita gente. É mais fácil, e as pessoas preferem colocar uma maquiagem ou máscara e fingir ser aquilo que todos gostam.

Isso rende maior admiração e mais sorrisos alheios. 

Menos o próprio.


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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Fim de ano. Vale a pena refletir?


Chegando a mais um fim de ano,
pergunto a quem está lendo este artigo:
vale a pena avaliar o ano que passou,
refletir sobre o que aconteceu,
fazer uma revisão geral?



E respondo com sim e não.

Sim, para aqueles que serão honestos e verdadeiros em suas reflexões e procurarão corrigir os erros, celebrar os acertos e seguir em frente.

Não para aqueles que fazem isso por fazer, apenas escrever ideias, sem muita reflexão, só porque alguém disse que era algo legal de se fazer. Para quem segue modinha, isso não muda nada, não serve de nada.


Sim, vale a pena refletir o ano que passou, as atitudes pessoais que tivemos, as respostas que demos às questões sociais que nos atingiram, verificar honestamente se foi ou não a melhor atitude, a melhor resposta, o que poderia melhorar e, realmente, pensar em colocar em prática uma melhor resposta numa próxima vez que precisarmos dar essa resposta. A vida toda é um contínuo aprendizado. E, se não fizermos isso, continuaremos ser o que já somos, fazer o que já fazemos e não daremos lugar à melhoria de nossas atitudes, ao aprimoramento de nossas decisões. Isso só pode ser feito com reflexão calma, livre de sobressaltos, feita no momento apropriado, de forma periódica.
Por estes e outros motivos, o fim de um ano é um momento muito oportuno para se fazer isso. Por exemplo, se ao passar por uma situação difícil, como a perda de um emprego, eu refletir e chegar à conclusão que deveria ter tido um melhor preparo profissional para manter aquela vaga perdida, significa que preciso tomar uma atitude neste sentido, para melhorar, para me aperfeiçoar, a fim de não perder a próxima oportunidade que aparecer na minha frente. Mas se eu não fizer isso num momento de reflexão sincera, calma, comedida, pode ocorrer de surgir uma nova oportunidade e eu me ver na mesma situação, sem condições de atender às exigências, e me desesperar e colocar tudo a perder.
Reflexões assim eu preciso fazer periodicamente. Mas também não todo dia, senão eu não vivo a vida, passo a viver apenas para avaliar e refletir. Então, o período de 1 ano parece bem razoável para as grandes atitudes da minha vida que preciso revisar e melhorar. Posso pensar em 3 ou 4 pontos importantes que aconteceram no ano, refletir sobre as opções, buscar melhorar onde for possível e celebrar e consolidar as atitudes que foram boas, para que sejam repetidas, de forma consciente. Essas opções, feitas no calor de uma nova situação que se apresente na minha vida de forma repentina, podem levar a atitudes precipitadas, sem a correta avaliação.
Celebrar os acertos também é de extrema importância. Traz esperança, nem tudo está errado, traz consolidação dos acertos. E que momento melhor do que este, na virada de um ano, para fazer um resumo de tudo o que deu certo.
Mas tudo isso só funciona se eu gastar um tempo nesta reflexão, parar, relembrar os acontecimentos, se eu for honesto comigo mesmo e ver realmente o que deu certo e o que não deu, sem máscaras, sem fingir ser o que não sou. Se realmente procurar colocar em prática o que preciso mudar, com atitudes consistentes. Só assim vai funcionar.
Porque, caso contrário, como muitos dizem, isso não leva a nada. Se for uma reflexão leviana, superficial, “só pra inglês ver”, se for algo que eu faço só pra cumprir a tarefa de algum coach ou guru, então isso não fará diferença nenhuma na minha vida. Vai passar ano, vai passar o tempo e tudo continuará o mesmo. Nada de mudança nenhuma.
Pra quem quiser experimentar e nunca fez, que tal começar neste fim de ano?




leia também meu artigo: "Teimosia e persistência"


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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Deficiente, eu?

  

As pessoas precisam entender 
que todo ser humano tem limitações. 
Poderia até chamar de deficiências. 
Algumas são físicas, outras mentais, 
mas há deficiências morais, 
da alma, de caráter, 
que são muito piores, 
mas ninguém percebe, 
são mais invisíveis.


As deficiências físicas, para quem as tem, são limitações com as quais precisam aprender a conviver, como um cego ou surdo, que precisam aprender formas de interagir com o mundo, ou então tentar adaptar uma melhoria que facilite o convívio com a mesma, como os amputados, que podem adaptar próteses e ter uma vida quase normal. No caso do deficiente mental, basta adaptar a participação dele na sociedade, naquilo que pode fazer no que se refere à profissão, de acordo com sua limitação.

Já as deficiências da alma, do caráter etc., (poderíamos até chamar, em alguns casos de “pecado”), são deficiências que não precisam se adaptar e acostumar com elas. São de um tipo diferente. Essas precisam mesmo ser extirpadas, curadas, transformadas. Não se coloca uma prótese em alguém que tem o hábito de mentir. É uma deficiência da alma que precisa ser curada. Definitivamente. É preciso haver mudança. Se um homem casado tem a deficiência de ser um adúltero, que trai a confiança da sua esposa e família, não vai adiantar ele aprender a linguagem de sinais para se comunicar melhor com sua família, e tentar conviver com esta deficiência (pecado).

Algum problema, seja de ordem física/mental ou moral/caráter, todos têm. As do primeiro grupo, temos assistido ao mundo tentar valorizar e melhorar o convívio dos deficientes e isto já tem mudado bastante. Antigamente, os pais de uma criança síndrome de Down, por exemplo, tinham o hábito de escondê-la, com vergonha. Hoje em dia, vivem normalmente com a sociedade, sabendo apenas que precisam direcionar a pessoa com deficiência para valorizar o seu potencial, e não ficar lamentando sua limitação.

Aliás, esse é o segredo de viver bem para a maioria das pessoas: Valorizar o potencial, não lamentar a limitação. Não apenas para os deficientes. Se, por exemplo, alguém tem um problema com o álcool ou drogas. É uma doença, mas poderíamos dizer que é uma deficiência de autocontrole da pessoa. Então esta pessoa precisa se afastar disso que a escraviza, buscar seu potencial e trabalhar ele e não ficar lembrando ou “dando corda” para aquilo que a limita, que a derruba, que a fere.

No caso dos deficientes, é importante ter pais que conseguem enxergar seu potencial, valorizar e desenvolver isso, passando por cima de qualquer deficiência, rotulada pelo resto da sociedade como limitante. Este auxílio dos pais, desde a infância, ajuda muito a desenvolver o lado bom, seu potencial e viver uma vida plena.

As deficiências são limitantes sob o ponto de vista do que a maioria considera normal. Mas quando vemos isto, podemos perceber a diferença que faz a atitude correta dos pais na vida de um ser humano, qualquer que seja, com ou sem deficiências físicas.

Portanto, precisamos entender que limitações e algum tipo de deficiência, todos temos, em alguma medida. Certos tipos são passíveis e até exige-se que sejam resolvidas. O hábito da mentira, do adultério, ou alguém preguiçoso que não gosta de trabalhar, de estudar, se o problema é a grosseria no trato com as pessoas, a falta de respeito pelo próximo e tantas outras, são deficiências de caráter, da alma, que precisam ser tratadas e curadas. Neste caso, não se adapta a convivência com o problema. Resolve-se e elimina-se o problema, através de uma mudança de atitude.

Todos podemos viver uma vida plena e somos capazes de coisas incríveis, com a ajuda de Deus. Alguns precisam se adaptar às deficiências, outros precisam eliminá-las. Não podemos nos entregar. Precisamos, cada um, buscar nosso caminho.





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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Dia dos Mortos

 


Na maior parte do mundo, há um dia do ano dedicado a relembrar os mortos. No Brasil, assim como em todo o ocidente, o dia escolhido é 2 de novembro. As formas e expressões culturais de como se fazer esta celebração difere em muitos lugares. Há países que fazem festa pelos mortos. Há outros que meditam de forma mais contida. Outros ainda visitam os túmulos de seus mortos neste dia. As formas são variadas, mas o objetivo deveria ser sempre o mesmo: lembrar, ao olhar para quem já se foi, de como a vida é efêmera, como não há exceção, em nenhum de nós, para esta realidade: que todos nos encontraremos com a morte.

Ao olhar isto, deveria ser claro o sentimento de valorização, de urgência de realização que deveria nos cercar. Deveríamos pensar em nossa vida, na sua limitação, tanto temporal quanto circunstancial e valorizar mais o que temos aqui e agora.

Ao visitar um morto que havia sido rico em vida, percebemos que sua riqueza, neste momento após sua morte, não faz diferença nenhuma. Da mesma forma, se o morto foi pobre, agora ele está no mesmo lugar que aquele que fora rico.

Ao visitar alguém que trabalhou sem parar para ter esta mesma riqueza, vemos que ele está no mesmo lugar daquele que além de trabalhar para seu sustento em vida, também esteve com sua família e pôde cultivar boas amizades.

Ao chegar-se ao túmulo de um atleta profissional, que passou seu tempo cultivando seu corpo, ou de alguém vaidoso, que gastava horas e dias procurando melhorar sua aparência, percebemos que estas pessoas estão na mesma condição daquele que viveu de qualquer jeito.

Alguém pode olhar tudo isso e chegar à conclusão de que “não importa o que eu faça, na minha morte, serei igual a qualquer um”. E, de certa forma, por um lado, isso é verdade.

Mas também posso chegar à conclusão de que tudo o que eu faço nesta vida, tem efeito apenas durante a vida. Porque, na morte, tudo o que eu faço aqui não fará diferença para o meu corpo físico, na morte. Porque, depois de morto, o pobre e o rico, o saudável e o enfermo, o ébrio e o sóbrio, o homem e a mulher, o negro e o branco, o intelectual e o analfabeto, todos terão seus corpos colocados no mesmo lugar.

Esta é uma reflexão importante. Para não nos apegarmos demais a coisas que ficam por aqui. Porque o fim de todos, neste aspecto é o mesmo.

Mas isto me leva a outra reflexão. O que, então, faz diferença, depois da morte, no que se refere às minhas escolhas e atitudes durante a vida? Olhando para quem morreu, seja há 1, 5 ou 10 anos, ou mesmo há séculos, o que ficou desta pessoa que morreu? Certamente não foi o corpo, por mais que ele tenha sido preservado.

Mas o que ficou para os outros foi o seu legado. O que fica de alguém que parte é aquilo que faz diferença na vida dos outros, da sociedade, do mundo. O que fica de um professor que morreu são os milhares de alunos que ele ajudou a formar na vida. O que fica de pais que morreram, foi o que eles ensinaram a seus filhos. O que fica de um grande estadista, depois de sua morte, foi o que ele deixou de transformações e benefícios para o povo que ele governou.

O legado é o que fica aos outros daquilo que fizemos em vida. E isso nos leva a pensar que devemos sempre fazer o melhor, pensando no todo, não apenas em nós. Mas, a começar de nós, pensando na nossa família, no nosso bairro ou cidade. Nos futuros cidadãos e o que podemos deixar para todos estes, ou apenas alguns destes, que possa melhorar suas vidas, fazê-los lembrar de nós de uma forma saudável, boa, alegre. Da vida que vivemos, o legado que deixamos é o que fica para os outros. Ao pensar neste dia, quem já foi, devemos refletir se estamos fazendo nosso melhor em prol do nosso próximo e refletir se a vida que estamos vivendo está valendo a pena.

E, como não adianta pensar nisso após nossa morte, porque depois de passarmos para o lado debaixo da terra, não há nada mais que possamos fazer, então refletir neste dia dos mortos sobre a vida daqueles que já se foram, deveria nos fazer pensar em nossas atitudes atuais, de nossas vidas e descobrir se estamos realmente no caminho certo.

Esse é um bom motivo de reflexão no dia dos mortos para aqueles que estão vivos.

Mas ainda há uma outra consequência na qual devemos refletir. Além do nosso corpo, existe aquilo que nos fazia ficar vivos, que mantinha o corpo ativo e vivo. Nossa alma, nosso espírito, depois de deixar nosso corpo, permite inclusive a deterioração deste. Porque o que conferia vida ao corpo não era ele próprio. Mas algo que permanece, mesmo depois que o corpo não permaneça mais.

Nossa alma, nosso espírito, terão uma continuidade após a vida corporal. E, o que fazemos com nossa vida, com nosso corpo, durante a vida, é o que determina o destino para onde irão nossa alma e nosso espírito. Então vale também, neste momento, uma reflexão: o que estou fazendo da minha vida compromete meu destino eterno?

Esse momento, de pensar na morte para podermos também nortear nossa forma de vida, é muito importante. Ter um momento de reflexão desses por ano pode ser muito frutífero, se o feriado não for apenas uma opção de descanso, mas sim de reflexão.

Lucas Durigon


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segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Isso se aprende na escola

Quando ainda estava completando o curso médio, fiquei sabendo que a matéria “Educação Moral e Cívica” tinha sido extinta. Não seria mais lecionada. Fiquei contente. Muitos na classe ficaram. Não tinha razão de ser, aprender este tipo de coisas. Os professores que tive desta matéria não tinham amor pela Pátria, nunca vi civismo ou moralidade exemplar neles. Alguns até citaram sobre os perigos e desvantagens do fumo! Seria esse o melhor que poderiam fazer?

Hoje não fico contente. Gostaria que tivéssemos essa matéria. Gostaria que pudéssemos ter noções, desde cedo, sobre “Educação Moral e Cívica”. Não aprender sobre datas de revoluções, sobre vitórias brasileiras em massacres latino-americanos. Não apenas decorar nomes de generais para a prova. Aprender algo mais perto sobre “Moral” e sobre “Civismo”. Acho muito mais moral ensinar sobre a paz do que sobre a guerra. É imoral regozijar-se com a guerra, pois nela, não há vencedores: todos perdem.

Tenho participado de algumas poucas conferências, tenho visto noticiários. Alguns dizem que é necessário ter aulas de religião na escola (já disse que discordo).

Outros dizem que urge haver educação para o trânsito desde cedo, para crianças.

Uma cultura de paz, que ensine sobre as desvantagens da guerra e ensine sobre a paz, é essencial ser semeada na vida de crianças. Ensinar a importância da preservação ambiental é necessária, para que a próxima geração não coloque o materialismo acima da vida.

Noções de convivência social, rejeição ao racismo (de todos os tipos), aos preconceitos, são essenciais. Muitos defendem que é necessário ensinar sobre a sexualidade aos adolescentes (não às crianças), para termos uma sociedade saudável em termos de informação.

Vimos muito sobre política, formas de exercer o poder, de reclamar os direitos, de sermos ouvidos: seria importante fazer a criança, o jovem, o adolescente aprender de cedo a importância da política na vida da sociedade.

E uma política intimamente ligada à ética.

Isso, a mim, parece-se mais com “moral”, com “civismo”. Que todos possam buscar um encontro com Deus, mas por decisão própria, por escolha própria. Mas que também possamos ensinar às nossas crianças e adolescentes sobre os limites da liberdade. Que haja liberdade: mas se um jovem, ao chegar aos seus 20 anos de idade, não tem noções de respeito ao próximo, como poderá respeitar as regras de trânsito? Como poderá não se indignar com cenas diárias de guerra? Como poderá respeitar e conviver com pessoas de outras raças?

Esse aprendizado não cai do céu. Precisa ser compartilhado, discutido, vivenciado, praticado. É necessário, urge mesmo que repassemos a crianças e adolescentes uma base de “Educação Moral e Cívica” para que possam decidir-se, no momento certo, a respeitar o próximo, a respeitar limites. Que possam sentir as mazelas da humanidade. E que possam sentir essa dor. Que jamais se conformem, que jamais se acostumem a ver morte e sangue, todo o dia, na televisão, nas ruas, na esquina de casa: isso tem que fazer chorar. Tem que fazer doer. Isso precisa dar um nó na garganta. Não pode passar por nós despercebido.

Não estou defendendo aqui que uma matéria a mais na escola irá resolver (nem a longo prazo) os problemas que estamos vendo e vivendo. Estou apenas jogando uma ideia. Seria muito bom repensar o papel da sociedade, como um todo, no futuro do nosso Brasil, do nosso planeta. Mas acho, sinceramente, que o fato de isso não ser solução, não justifica desconsiderar uma semente.

Aliás, se um agricultor esperasse que uma semente resolvesse o problema da fome no mundo, ele, em sã consciência, jamais plantaria aquela semente.


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