segunda-feira, 18 de abril de 2022

O Movimento Feminista é Machista?


Alguém me perguntará: qual a relação entre o movimento feminista e propagandas eróticas? Bem... muitas, de acordo com o ponto de vista que defendo. Primeiro, quero definir estas duas expressões.

Na minha concepção, “movimento feminista” não se resume a uma busca por dignidade da mulher, a uma busca por seus direitos e seu espaço na sociedade e um fim aos abusos que antes eram cometidos contra a mulher, negando-lhes o direito ao voto, à vida social igual ao homem e inúmeras restrições que não necessitam ser todas citadas aqui. Todas absurdas e herança de uma época quando se via a mulher como um objeto, de posse de um homem. As próprias mulheres se viam assim. A busca por esses direitos e igualdades é mais do que justa e louvável, na minha opinião. O que chamarei de “movimento feminista” é o extremismo a que chegaram algumas representantes desse movimento para se libertarem de tais repressões. Por exemplo, a maternidade foi relegada à condição de “estorvo” para a condição igualitária da mulher. Ora, uma mulher grávida ou amamentando não pode trabalhar direito, é discriminada. E a mulher prefere, em muitos casos, num ato de puro machismo contra si mesma, abrir mão da gravidez em prol da profissão. Atualmente, exames pré-admissionais na empresa detectam se a mulher está grávida, para lhe impedir a contratação. Também o trabalho da casa foi discriminado (somente pelo homem? Não, mas também pela mulher) como sendo algo que não é sequer considerado trabalho.

Não me refiro também (e prestem atenção os extremistas) à faxina, lavar e passar. Me refiro à boa administração, completa e idônea do lar, àquela à qual a bíblia se refere quando diz que a mulher sábia “edifica o lar”. É a administração da educação dos filhos, do controle das finanças, do apoio às estruturas familiares, principalmente dos relacionamentos. O que há de degradante nisso? Bem, o movimento feminista acha isso degradante. Motivo de orgulho é o trabalho do homem: diretor, auxiliar de escritório, engenheiro, advogado. Mas a administração do lar, não! Pra falar a verdade, vejo mais machismo que feminismo nisso! Então a mulher considera seu próprio trabalho, aquele histórica e tradicionalmente reservado à mulher, inferior e o do homem superior. E, na luta por valorização, ao invés de lutar para valorizar o próprio trabalho, a mulher buscou provar para a sociedade que era capaz de realizar o trabalho do homem e relegar a família à qualidade de estorvo. Não é isso um machismo? Por que não valorizar o trabalho de boa administradora do lar, de uma forma completa, como foi ventilado aqui. Fazer isso direito e de forma completa não é pra qualquer um. Esse tipo de mulher está cada vez mais rara.

Também a questão da “propaganda erótica” necessita elucidação, para esclarecer o propósito desta expressão para este pensamento aqui desenvolvido. Não estou falando aqui de propagandas pornográficas de filmes, boates e revistas. Não estou falando daquele erotismo direto dos centros de prostituição. Estou falando do erotismo invadindo as outras áreas da vida. Ora, hoje em dia, a propaganda de cerveja exige que se tenha mulheres sensuais, vestidas em biquinis (quando estão vestidas), propagandas de sabão em pó, de material escolar, de sorvete, de refrigerante, de viagens, de cigarros… etc etc etc, exigem que se tenha um toque sensual e/ou erótico para ser vendida. Há algum tempo comentei com um amigo sobre um cartaz que anunciava um sorvete de palito, com a foto de uma mulher, com um olhar sensual comendo o sorvete. Eu argumentei com ele que aquilo (aquele tipo de olhar) não era necessário para a propaganda de um sorvete. Ele retrucou que achava que assim o sorvete ficaria mais gostoso! É sobre essa “erotização” da propaganda que estou falando. A própria mulher se presta a esse papel. Afinal, qual o problema em sensualizar um sorvete, se o cache for bom. Parece meio contraditório à luta por dignidade feminina e querer lutar por ver vista além de alguém que se presta apenas a satisfazer ao homem. Mas, participando e concordando em sensualizar a propaganda de qualquer produto em troca do pagamento, ela mesma se coloca nesta posição de ser um objeto (de desejo), posição contra a qual tanto lutou, para não se ver objetificada pelo homem.

Mas, voltando ao início, qual a relação entre um e outro? Desejo fazer uma breve análise histórica para, inclusive analisar as implicações na formação familiar moderna sobre esse tipo de relação. Quero dizer que a mulher tem se entregado a vender a sua dignidade nas mais diversas esferas da sociedade. Isso tudo começou com algo bem simples, como a busca por direitos iguais, mas tem extrapolado o objetivo inicial, colocando a mulher numa condição vil e indigna.

Sigamos o seguinte raciocínio, de forma bem resumida, com as seguintes considerações:

Em primeiro lugar, o movimento feminista, este que luto para fazer a mulher ocupar o espaço que era majoritariamente ocupado pelos homens, com o simples intuito de provar que poderia fazer, ao invés de valorizar seu próprio espaço, esse movimento feminista levou a um número maior (muito maior) de mulheres ao mercado de trabalho (gradualmente). Isso vem gerando consequências, uma após a outra, em cascata, como num círculo vicioso. A entrada das mulheres no mercado de trabalho provocou um aumento na oferta de candidatos a vagas que, por ordem direta das leis sociais e econômicas, leva a uma diminuição dos salários. Mesmo que fossem somente homens, e se aumentasse o número de pessoas disponíveis para trabalhar o efeito seria o mesmo. A lei socioeconômica existe: o movimento feminista que levou as mulheres aos postos de trabalho apenas a intensificou. Mas isso gerou um outro problema: os homens não têm mais o número de empregos disponíveis antes.

Porém, para as empresas, é um movimento interessante, pois, historicamente, o salário feminino é menor. Por que isso ocorre? Bem, isso parece agradar aos empresários. Seria a mulher menos capaz do que o homem de ocupar e desenvolver bem tais postos? Creio que não. Nem menos, nem mais capazes. São iguais aos homens. Porém, a elas foi dado por Deus um dom (ou pela natureza, para quem não acredita em Deus, mas é algo imutável): o dom da maternidade, que têm relegado a segundo plano em nome de uma “liberdade” de vida.

Mas, como elas tinham que conquistar esse espaço profissional, como ocorreria em qualquer dinâmica socioeconômica (mesmo hoje em dia), se submeteram a salários menores que eram oferecidos para poder ganhar o espaço e, assim provar e mostrar sua capacidade feminina (eu nunca duvidei dessa capacidade, será que alguém no passado duvidou? Talvez sim! Que pena!). É o mesmo fenômeno que ocorre hoje em dia com os autônomos, por exemplo. Ou com os camelôs. Eles aceitam receber menos para “garantir o cliente”. E isso gera consequências econômicas a longo prazo. Assim agiu o público feminino para garantir seu lugar ao sol no mercado de trabalho.

Neste movimento, é interessante ao empresário ter alguém que faça o mesmo trabalho por um preço menor. E, volto a afirmar, a mulher é cabalmente capaz de fazer o que um homem faz: sua necessidade de provar isso é, historicamente, a meu ver, desnecessária e prejudicial. Em tendo mais gente disponível, e aceitando trabalhar por menos, logo os homens também, ao necessitar da vaga, aceitam trabalhar por menos (que é melhor do que nada e, pelo menos, garante o alimento da família).

Mas com isso, outro problema vem encadeado: a mulher não pode mais cuidar dos filhos, não tem tempo, é, na visão de algumas, uma “perda de tempo” e um “estorvo”. Precisa-se contratar outras mulheres que trabalhem para elas, cuidando dos seus filhos. Essas outras mulheres também têm filhos... mas como não têm dinheiro para pagar outras que cuidem dos seus (num círculo indefinido), os filhos destas vão para as ruas. Bem, não são só os filhos das babás que vão para as ruas: são os filhos das mulheres mais pobres, da camada mais explorada da sociedade que vão para as ruas porque suas mães não têm condições de pagar por quem cuide deles, pois têm de ir para o trabalho, então eles ficam por aí, nas ruas. Também não chamei essas crianças de marginais. Apenas citei como crianças sem o cuidado materno e paterno adequado. Não digo que toda criança que vai para a rua é um marginal. Aliás, a “rua” aqui significa qualquer lugar “fora de casa”.

Mas é uma análise longa e complexa. Bem, as mulheres aceitaram menores salários para garantir seus lugares, os homens perderam vagas pois aumentou a oferta de empregados disponíveis para as empresas, os salários estão diminuindo gradativamente, num ciclo movido por aquela história de “quem trabalha por menos”, pois cada vez mais as mulheres vão aceitando menores salários e, em dado momento, os homens também acabam aceitando. E, num ciclo sem fim, todos os salários vão diminuindo. Como já disse, não são melhores nem piores do que os homens. São iguais. E a família, que há algumas décadas, conseguia sustentar-se com o salário do homem, já não consegue mais. O salário de um que antes sustentava a todos agora precisa ser suprido por dois: o casal. E, quando num casal apenas um trabalha fora, as privações são tantas que causam problemas familiares pela instabilidade financeira, obrigando ambos a trabalharem pelo sustento.

Ainda há uma dinâmica interessante neste processo. As mulheres lutam hoje por uma igualdade de salários. Não uma luta armada, politizada, sindicalizada. Mas uma luta quieta, por baixo dos panos. Logo veremos elas comemorando os resultados de pesquisas que indicam que os salários já são iguais. Mas não vejo motivos de comemoração: não são os salários femininos que estão sendo valorizados. É o salário masculino que está sendo arrochado, pois entramos numa segunda parte desta dinâmica: agora são os homens que começam a aceitar qualquer posto e salários, porque, se ele não aceitar, há uma mulher na fila do emprego que aceitará. Que patrão vai desejar, de “bom coração”, pagar o maior salário?!!! Seria bem irônico ver as mulheres comemorando a igualdade nos níveis de salários. Não é vitória. É derrota. Derrota para a família.

Nisso tudo, quem perde é a família. O casal precisa (antes por opção, agora por obrigação) estar fora para trabalhar. Aqueles que não se submetem a isso são privados de suprir suas necessidades (mesmo as mais vitais). Os filhos são esquecidos e, marido e mulher, ocupados com suas obrigações profissionais, não têm mais tempo um para o outro.

Atualmente, não se vende mais um produto sem o apelo sensual. Nas famílias, em cada casa, a sensualidade não é mais algo natural. É algo planejado, com hora marcada. Os casais já não consideram esse assunto essencial para o bom andamento do casamento. Os filhos já não veem isso como natural, sublime, atitude de amor. Os filhos aprendem e veem a sensualidade primeiro na TV, na Internet. Aprendem fora de casa e depois veem ensinar aos pais. Isso mesmo, não é perguntar, é ensinar. Os pais nem percebem quando os filhos já estão “experts” nesses assuntos que eles julgavam ser os únicos a saber dentro de casa. Tem até aquela anedota sobre uma menina de 9 anos que diz para a outra na escola: “olha, achei uma pílula anticoncepcional no pátio”, ao que a outra menina responde: “ah, é? Mas, o que é... pátio?”.

E isso leva à consequência comercial. A curiosidade juvenil, a carência nos lares fazem com que os apelos sensuais na TV, Internet e outros lugares encontrem um público ávido pelo assunto, por causa da falta dele em suas casas.

Bem, mas e o movimento feminista? Ele tem incentivado a mulher a ficar fora de casa, a deixar filhos com babás, a não construir relacionamentos. É um dom desperdiçado. É desconsiderar a sabedoria de Deus na criação das coisas, quando colocou a mulher, cuidadosa e amorosa, atenciosa e lutadora para cuidar dos filhos e da família, para gerá-los, para doar parte de si.

Isso deixa os filhos sem bases familiares.

Isso faz com que todos percam.

Seria muito bom se toda a sociedade, homens e mulheres valorizassem o trabalho de estruturar uma família como o mais sublime de todos. E que as mulheres se vissem assim. Seria muito bom, se a sociedade se adaptasse para oferecer sim, às mulheres oportunidade de trabalho, mas numa carga horária que não prejudicasse essa atenção e cuidado que, antigamente, ela sabia fazer tão bem em sua família e muitas já não querem mais saber. Que elas tivessem sim a oportunidade de se desenvolver profissionalmente, de ter suas relações sociais de trabalho, que pudessem ter seu salário, viver tudo isso, sim, mas sem abrir mão de tão precioso dom dado por Deus, de cuidar da família. Mas não um trabalho que as objetifique, que as trate como objeto de desejo em troca de algum cheque. Se a sociedade oferecesse às mulheres trabalho que não as privasse da família, que os homens (principalmente os maridos), valorizassem seu trabalho familiar e caseiro e que elas próprias percebessem que esse é o mais digno, mais importante, mais desafiador e mais instigante trabalho de todos, acredito que todos poderiam ganhar com isso.

O movimento feminista não valorizou a mulher. Apenas a tirou de casa. Colocou ela para sair por aí, sendo objeto, seja na exploração de sua sensualidade (porque é isso que vende), ou em usar ela como objeto de barganha para diminuir os salários, de uma forma geral. Não a valorizou, a usou para os interesses dos grandes empresários.

A valorização da família é o único caminho da verdadeira valorização feminina. Não ficar trancada em casa, não nos moldes antigos, não como um objeto do próprio marido. Mas por uma valorização mútua, dentro da família. Filhos, marido e mulher valorizando-se uns aos outros.


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segunda-feira, 21 de março de 2022

Nem tudo é relativo

a relatividade moral está passando dos limites,
principalmente das idades. 
nossos sentimentos receberam uma camada protetora
que nos impede de sentir essas mazelas humanas
e chorar por isso.
 
 



É o fim do mundo. O fim da picada. Não tem mais jeito.

Há alguns anos ouço expressões como essas relacionadas a tudo o que anda acontecendo no mundo, desde situações econômicas calamitosas, anos de fome em países que sofrem com guerras civis e secas. Passamos os dias vendo “Etiópia”, “Somália”, “Nordeste Brasileiro”, “Kossovo”, “Sequestro Relâmpago”, “Bósnia”, “Tráfico de drogas”, “Faixa de Gaza”.

Sem sair do Brasil assistimos, barbarizados, filhas e filhos matando pais (que mais parece o cumprimento de um vaticínio bíblico); polícia correndo de bandido (e é a polícia na frente e o bandido atrás); crianças sem respeito a professores, chegando a matá-los! E, parece que isso tudo não nos impressiona mais, parece que estamos acostumados, parece que fomos cauterizados, nossos sentimentos receberam uma camada protetora que nos impede de sentir essas mazelas humanas e chorar por isso. Ao assistir o noticiário, é só “mais um caso”. Repetimos “é o fim da picada” como que por hábito, pois aprendemos a falar assim.

O que aconteceu? Como chegamos neste ponto? Onde tudo começou? É claro que não tenho as respostas (alguém tem?). Mas uma coisa é certa, e pode ser um dos motivos e estar prejudicando: a relatividade moral está passando dos limites, principalmente das idades. Tudo bem que se diga, a um universitário, que ele deve escolher o caminho a seguir, pois (espera-se), tem informação suficiente sua mente que o permite analisar situações e tomar decisões que façam dele a pessoa que é.

Mas querer que uma criança, um adolescente, tenha condições de tomar decisões que abrangem o convívio com outras pessoas, que dizem respeito à liberdade do próximo e não mostrar a esta criança/adolescente que a sua liberdade termina onde começa a do outro é dar um tiro no pé. É a destruição da sociedade, da família. E a consequência disto, estamos vendo, estamos lendo e com esta consequência estamos nos surpreendendo! Mas será que ninguém percebia que este seria o desfecho natural das coisas, dada a educação que está sendo praticada?

Não somente na escola. Mas em casa, entre os “amigos”. Em todo lugar, a criança é exposta a uma enxurrada de informações que deterioram seu caráter. Aos poucos.


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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Cada um cuida de sua própria vida?!

Puxa, sem perceber muitas vezes, estamos entrelaçados
de forma a não termos o direito de sermos individuais.
Deus nos criou para sermos comunidade, para sermos família.
 




Ultimamente, temos criado o hábito de nos isolar. De viver nossa vida sem dar nem pedir satisfação a ninguém por nada. Ficamos ofendidos (e alguns dizem ser falta de educação, fora dos padrões de etiqueta) quando alguém vem “meter o bedelho” em nossas vidas e nos tolhemos a fazer isso a alguém.

Muitas vezes recebo via internet, estórias de pessoas que sofreram por causa de motoristas bêbados que causaram acidentes, envolvendo pessoas que estavam viajando com a família ou passeando sóbrios durante o dia, que nada tinham a ver com as peripécias do bêbado e que tiveram sua vida e (não poucas vezes) sua família estraçalhadas.

Muita conscientização pela internet tem sido feita no sentido de mostrar que uma pessoa bêbada, quando dirige, não é responsável apenas pela sua própria vida. Ela põe em risco a vida de terceiros. Muitos acidentes já ocorreram dessa forma, prejudicando não só aquele que escolheu beber e se arriscar, mas também prejudicando pessoas que estavam vivendo suas vidas de forma calma e tranquila, até aquele momento.

Puxa, sem perceber muitas vezes, estamos entrelaçados de forma a não termos o direito de sermos (totalmente) individuais. Deus nos criou para sermos comunidade, para sermos família. A tentativa de nos tornar autossuficientes, independentes (acentuadamente na tônica feminista deste último século) tem causado muitos dos problemas da vida moderna que passamos. Queremos ser livres, como se liberdade fosse viver livre do próximo, do vizinho, do parente... E não percebemos que isto é impossível. Mesmo se vivêssemos numa ilha deserta, dependeríamos de que ninguém, em nenhum momento, decidisse ir nos visitar. Assim, dependeríamos, mesmo nesta situação, da boa vontade dos demais.

Considerando as licenças poéticas e os exageros das estórias que circulam pela internet, ainda fica uma porção considerável de assunto para refletir. Uma pergunta paira no ar, nessa situação: se um bêbado quiser dirigir e eu puder, de alguma forma impedi-lo, devo fazer isso ou devo deixar ele cuidar da própria vida?! 

Será que temos o direito de (não apenas nesta questão, mas em outras) deixar que cada um decida por si em situações que prejudicam a todos? 

Estamos nos acostumando a não “meter o bedelho” na vida dos outros e ver nossas crianças, adolescentes e jovens sendo levados por traficantes, cafetões e outros aproveitadores, simplesmente porque não quisemos, quando tivemos oportunidade, “meter o bedelho” na vida do traficante, denunciar, ou segurar o bêbado pela mão quando ele ia entrar no carro. Talvez algumas vidas fossem poupadas, algumas famílias estivessem inteiras, se não ficássemos olhando apenas para nossos umbigos.

A Bíblia diz que aquele que poderia fazer o bem e não o faz, é tão pecador quanto aquele que faz o mal. A omissão, para Deus, é tão grave quando a ação. Não é certo esta posição de que devemos cuidar de nossas próprias vidas, sem nos importar com o próximo. Mas é necessário ter sabedoria e discernimento para saber quando agir na vida do outro para o bem de todos.


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Humanos de silicone

Mas examinar-se a si mesmo é muito profundo, muito revelador, muito assustador. 

E espanta muita gente. 

É mais fácil, e as pessoas preferem colocar uma maquiagem ou máscara e fingir ser aquilo que todos gostam. 


Ouvi, numa reportagem na televisão tempos atrás, sobre o fato do Brasil ser um dos países que mais faz operações para implantes de próteses de silicone nos seios de mulheres. Em entrevista, uma delas disse que o fazia por motivos de vaidade, porque “o que vem da frente é o que impressiona”. Isso demonstra a intenção dela em impressionar o sexo oposto pela sua aparência.

É um sintoma dos tempos modernos. Os relacionamentos baseados quase que exclusivamente na aparência exterior e na estética são relacionamentos passageiros ou do tipo fast food. Antes, o que impressionava era o caráter.

Isso tudo já acontecia antes do advento e domínio das redes sociais sobre os relacionamentos. A superficialidade e a velocidade dos relacionamentos foi alçada a altitudes estratosféricas depois daquela reportagem que assisti.

Hoje, nas redes sociais, todos querem aparecer, mostrar-se ao mundo, pelo menos ao seu mundo particular de influência, seus seguidores, amigos, “haters” etc etc etc. E, para se mostrar bem, independentemente de ser verdade, faz-se uma maquiagem, muda-se um estilo, uma roupa, um sorriso forçado, ou seja, qualquer coisa externa que mostre que a realidade da vida não é tão dura assim. Pelo menos não que se venha a admitir na frente dos outros.

Sim, essa é a moda, essa é a tônica: necessário é aparecer-se de um jeito que venha a ser aprovado por outros. Que venha a ser admirado e gere muitas curtidas, likes, corações, estrelas etc.

Talvez todos que se deixaram levar por essa lógica, não conheçam mais a essência de si mesmos. Já não saibam o que é autenticidade. Já não consigam mais se definir. Se alguém perguntasse para essa pessoa “quem é você?”, talvez já não encontrasse palavras.

Relacionamentos superficiais não trazem satisfação pessoal real. Necessidade de aparecer e justificar o próprio sentimento a outros não gera alegria verdadeira.

Muitos hoje são humanos de silicone. Não fazem uma cirurgia, mas se injetam de uma aparência artificial para se apresentar perante a sociedade. E já se perdem e nem sabem mais quem são. Um dia, a grande preocupação de filósofos, de doutrinas religiosas era levar as pessoas a refletirem para conhecerem-se a si mesmas. Diziam que a realização plena do ser só poderia ser alcançada em se conhecer a si mesmo. Deus, ao ensinar ao homem pela sua palavra, deixa claro que só podemos nos encontrar quando encontramos a Ele. Mas examinar-se a si mesmo é muito profundo, muito revelador, muito assustador. E espanta muita gente. É mais fácil, e as pessoas preferem colocar uma maquiagem ou máscara e fingir ser aquilo que todos gostam.

Isso rende maior admiração e mais sorrisos alheios. 

Menos o próprio.


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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Fim de ano. Vale a pena refletir?


Chegando a mais um fim de ano,
pergunto a quem está lendo este artigo:
vale a pena avaliar o ano que passou,
refletir sobre o que aconteceu,
fazer uma revisão geral?



E respondo com sim e não.

Sim, para aqueles que serão honestos e verdadeiros em suas reflexões e procurarão corrigir os erros, celebrar os acertos e seguir em frente.

Não para aqueles que fazem isso por fazer, apenas escrever ideias, sem muita reflexão, só porque alguém disse que era algo legal de se fazer. Para quem segue modinha, isso não muda nada, não serve de nada.


Sim, vale a pena refletir o ano que passou, as atitudes pessoais que tivemos, as respostas que demos às questões sociais que nos atingiram, verificar honestamente se foi ou não a melhor atitude, a melhor resposta, o que poderia melhorar e, realmente, pensar em colocar em prática uma melhor resposta numa próxima vez que precisarmos dar essa resposta. A vida toda é um contínuo aprendizado. E, se não fizermos isso, continuaremos ser o que já somos, fazer o que já fazemos e não daremos lugar à melhoria de nossas atitudes, ao aprimoramento de nossas decisões. Isso só pode ser feito com reflexão calma, livre de sobressaltos, feita no momento apropriado, de forma periódica.
Por estes e outros motivos, o fim de um ano é um momento muito oportuno para se fazer isso. Por exemplo, se ao passar por uma situação difícil, como a perda de um emprego, eu refletir e chegar à conclusão que deveria ter tido um melhor preparo profissional para manter aquela vaga perdida, significa que preciso tomar uma atitude neste sentido, para melhorar, para me aperfeiçoar, a fim de não perder a próxima oportunidade que aparecer na minha frente. Mas se eu não fizer isso num momento de reflexão sincera, calma, comedida, pode ocorrer de surgir uma nova oportunidade e eu me ver na mesma situação, sem condições de atender às exigências, e me desesperar e colocar tudo a perder.
Reflexões assim eu preciso fazer periodicamente. Mas também não todo dia, senão eu não vivo a vida, passo a viver apenas para avaliar e refletir. Então, o período de 1 ano parece bem razoável para as grandes atitudes da minha vida que preciso revisar e melhorar. Posso pensar em 3 ou 4 pontos importantes que aconteceram no ano, refletir sobre as opções, buscar melhorar onde for possível e celebrar e consolidar as atitudes que foram boas, para que sejam repetidas, de forma consciente. Essas opções, feitas no calor de uma nova situação que se apresente na minha vida de forma repentina, podem levar a atitudes precipitadas, sem a correta avaliação.
Celebrar os acertos também é de extrema importância. Traz esperança, nem tudo está errado, traz consolidação dos acertos. E que momento melhor do que este, na virada de um ano, para fazer um resumo de tudo o que deu certo.
Mas tudo isso só funciona se eu gastar um tempo nesta reflexão, parar, relembrar os acontecimentos, se eu for honesto comigo mesmo e ver realmente o que deu certo e o que não deu, sem máscaras, sem fingir ser o que não sou. Se realmente procurar colocar em prática o que preciso mudar, com atitudes consistentes. Só assim vai funcionar.
Porque, caso contrário, como muitos dizem, isso não leva a nada. Se for uma reflexão leviana, superficial, “só pra inglês ver”, se for algo que eu faço só pra cumprir a tarefa de algum coach ou guru, então isso não fará diferença nenhuma na minha vida. Vai passar ano, vai passar o tempo e tudo continuará o mesmo. Nada de mudança nenhuma.
Pra quem quiser experimentar e nunca fez, que tal começar neste fim de ano?




leia também meu artigo: "Teimosia e persistência"


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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Deficiente, eu?

  

As pessoas precisam entender 
que todo ser humano tem limitações. 
Poderia até chamar de deficiências. 
Algumas são físicas, outras mentais, 
mas há deficiências morais, 
da alma, de caráter, 
que são muito piores, 
mas ninguém percebe, 
são mais invisíveis.


As deficiências físicas, para quem as tem, são limitações com as quais precisam aprender a conviver, como um cego ou surdo, que precisam aprender formas de interagir com o mundo, ou então tentar adaptar uma melhoria que facilite o convívio com a mesma, como os amputados, que podem adaptar próteses e ter uma vida quase normal. No caso do deficiente mental, basta adaptar a participação dele na sociedade, naquilo que pode fazer no que se refere à profissão, de acordo com sua limitação.

Já as deficiências da alma, do caráter etc., (poderíamos até chamar, em alguns casos de “pecado”), são deficiências que não precisam se adaptar e acostumar com elas. São de um tipo diferente. Essas precisam mesmo ser extirpadas, curadas, transformadas. Não se coloca uma prótese em alguém que tem o hábito de mentir. É uma deficiência da alma que precisa ser curada. Definitivamente. É preciso haver mudança. Se um homem casado tem a deficiência de ser um adúltero, que trai a confiança da sua esposa e família, não vai adiantar ele aprender a linguagem de sinais para se comunicar melhor com sua família, e tentar conviver com esta deficiência (pecado).

Algum problema, seja de ordem física/mental ou moral/caráter, todos têm. As do primeiro grupo, temos assistido ao mundo tentar valorizar e melhorar o convívio dos deficientes e isto já tem mudado bastante. Antigamente, os pais de uma criança síndrome de Down, por exemplo, tinham o hábito de escondê-la, com vergonha. Hoje em dia, vivem normalmente com a sociedade, sabendo apenas que precisam direcionar a pessoa com deficiência para valorizar o seu potencial, e não ficar lamentando sua limitação.

Aliás, esse é o segredo de viver bem para a maioria das pessoas: Valorizar o potencial, não lamentar a limitação. Não apenas para os deficientes. Se, por exemplo, alguém tem um problema com o álcool ou drogas. É uma doença, mas poderíamos dizer que é uma deficiência de autocontrole da pessoa. Então esta pessoa precisa se afastar disso que a escraviza, buscar seu potencial e trabalhar ele e não ficar lembrando ou “dando corda” para aquilo que a limita, que a derruba, que a fere.

No caso dos deficientes, é importante ter pais que conseguem enxergar seu potencial, valorizar e desenvolver isso, passando por cima de qualquer deficiência, rotulada pelo resto da sociedade como limitante. Este auxílio dos pais, desde a infância, ajuda muito a desenvolver o lado bom, seu potencial e viver uma vida plena.

As deficiências são limitantes sob o ponto de vista do que a maioria considera normal. Mas quando vemos isto, podemos perceber a diferença que faz a atitude correta dos pais na vida de um ser humano, qualquer que seja, com ou sem deficiências físicas.

Portanto, precisamos entender que limitações e algum tipo de deficiência, todos temos, em alguma medida. Certos tipos são passíveis e até exige-se que sejam resolvidas. O hábito da mentira, do adultério, ou alguém preguiçoso que não gosta de trabalhar, de estudar, se o problema é a grosseria no trato com as pessoas, a falta de respeito pelo próximo e tantas outras, são deficiências de caráter, da alma, que precisam ser tratadas e curadas. Neste caso, não se adapta a convivência com o problema. Resolve-se e elimina-se o problema, através de uma mudança de atitude.

Todos podemos viver uma vida plena e somos capazes de coisas incríveis, com a ajuda de Deus. Alguns precisam se adaptar às deficiências, outros precisam eliminá-las. Não podemos nos entregar. Precisamos, cada um, buscar nosso caminho.





https://www.facebook.com/deisedovaleoficial/videos/576472719819745/UzpfSTEwMDAwNjY1ODM4NTQwMDoyNzQwNzc5OTY2MTUzOTIz/


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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Dia dos Mortos

 


Na maior parte do mundo, há um dia do ano dedicado a relembrar os mortos. No Brasil, assim como em todo o ocidente, o dia escolhido é 2 de novembro. As formas e expressões culturais de como se fazer esta celebração difere em muitos lugares. Há países que fazem festa pelos mortos. Há outros que meditam de forma mais contida. Outros ainda visitam os túmulos de seus mortos neste dia. As formas são variadas, mas o objetivo deveria ser sempre o mesmo: lembrar, ao olhar para quem já se foi, de como a vida é efêmera, como não há exceção, em nenhum de nós, para esta realidade: que todos nos encontraremos com a morte.

Ao olhar isto, deveria ser claro o sentimento de valorização, de urgência de realização que deveria nos cercar. Deveríamos pensar em nossa vida, na sua limitação, tanto temporal quanto circunstancial e valorizar mais o que temos aqui e agora.

Ao visitar um morto que havia sido rico em vida, percebemos que sua riqueza, neste momento após sua morte, não faz diferença nenhuma. Da mesma forma, se o morto foi pobre, agora ele está no mesmo lugar que aquele que fora rico.

Ao visitar alguém que trabalhou sem parar para ter esta mesma riqueza, vemos que ele está no mesmo lugar daquele que além de trabalhar para seu sustento em vida, também esteve com sua família e pôde cultivar boas amizades.

Ao chegar-se ao túmulo de um atleta profissional, que passou seu tempo cultivando seu corpo, ou de alguém vaidoso, que gastava horas e dias procurando melhorar sua aparência, percebemos que estas pessoas estão na mesma condição daquele que viveu de qualquer jeito.

Alguém pode olhar tudo isso e chegar à conclusão de que “não importa o que eu faça, na minha morte, serei igual a qualquer um”. E, de certa forma, por um lado, isso é verdade.

Mas também posso chegar à conclusão de que tudo o que eu faço nesta vida, tem efeito apenas durante a vida. Porque, na morte, tudo o que eu faço aqui não fará diferença para o meu corpo físico, na morte. Porque, depois de morto, o pobre e o rico, o saudável e o enfermo, o ébrio e o sóbrio, o homem e a mulher, o negro e o branco, o intelectual e o analfabeto, todos terão seus corpos colocados no mesmo lugar.

Esta é uma reflexão importante. Para não nos apegarmos demais a coisas que ficam por aqui. Porque o fim de todos, neste aspecto é o mesmo.

Mas isto me leva a outra reflexão. O que, então, faz diferença, depois da morte, no que se refere às minhas escolhas e atitudes durante a vida? Olhando para quem morreu, seja há 1, 5 ou 10 anos, ou mesmo há séculos, o que ficou desta pessoa que morreu? Certamente não foi o corpo, por mais que ele tenha sido preservado.

Mas o que ficou para os outros foi o seu legado. O que fica de alguém que parte é aquilo que faz diferença na vida dos outros, da sociedade, do mundo. O que fica de um professor que morreu são os milhares de alunos que ele ajudou a formar na vida. O que fica de pais que morreram, foi o que eles ensinaram a seus filhos. O que fica de um grande estadista, depois de sua morte, foi o que ele deixou de transformações e benefícios para o povo que ele governou.

O legado é o que fica aos outros daquilo que fizemos em vida. E isso nos leva a pensar que devemos sempre fazer o melhor, pensando no todo, não apenas em nós. Mas, a começar de nós, pensando na nossa família, no nosso bairro ou cidade. Nos futuros cidadãos e o que podemos deixar para todos estes, ou apenas alguns destes, que possa melhorar suas vidas, fazê-los lembrar de nós de uma forma saudável, boa, alegre. Da vida que vivemos, o legado que deixamos é o que fica para os outros. Ao pensar neste dia, quem já foi, devemos refletir se estamos fazendo nosso melhor em prol do nosso próximo e refletir se a vida que estamos vivendo está valendo a pena.

E, como não adianta pensar nisso após nossa morte, porque depois de passarmos para o lado debaixo da terra, não há nada mais que possamos fazer, então refletir neste dia dos mortos sobre a vida daqueles que já se foram, deveria nos fazer pensar em nossas atitudes atuais, de nossas vidas e descobrir se estamos realmente no caminho certo.

Esse é um bom motivo de reflexão no dia dos mortos para aqueles que estão vivos.

Mas ainda há uma outra consequência na qual devemos refletir. Além do nosso corpo, existe aquilo que nos fazia ficar vivos, que mantinha o corpo ativo e vivo. Nossa alma, nosso espírito, depois de deixar nosso corpo, permite inclusive a deterioração deste. Porque o que conferia vida ao corpo não era ele próprio. Mas algo que permanece, mesmo depois que o corpo não permaneça mais.

Nossa alma, nosso espírito, terão uma continuidade após a vida corporal. E, o que fazemos com nossa vida, com nosso corpo, durante a vida, é o que determina o destino para onde irão nossa alma e nosso espírito. Então vale também, neste momento, uma reflexão: o que estou fazendo da minha vida compromete meu destino eterno?

Esse momento, de pensar na morte para podermos também nortear nossa forma de vida, é muito importante. Ter um momento de reflexão desses por ano pode ser muito frutífero, se o feriado não for apenas uma opção de descanso, mas sim de reflexão.

Lucas Durigon


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