Dom Pedro gritou Independência ou Morte! Nós precisamos fazer valer a verdade de que a independência gera vida. Precisamos ainda lutar por essa vida e uma verdadeira independência.
Aprendemos na escola que Dom Pedro I, príncipe
regente, português, filho de Dom João VI, tendo vindo para o Brasil
com sua família, gritou às margens do Rio Ipiranga em São Paulo
(hoje capital do Estado): “Independência ou Morte!”. Bem, com
esta frase, ele estava deixando claro que se dispunha a lutar até a
morte pela Independência do Brasil.
Nos Estados Unidos, quase todos os países da
África e Ásia e muitos outros lugares, a luta para se tornar
independente do país dominante (metrópole) realmente gerou mortes
(muitas mortes). No tempo que o Brasil foi descoberto, Portugal e
Espanha, países católicos, com um povo acolhedor (como são os
latinos) e de pouca tradição bélica dominavam as navegações e
grande parte do comércio. Portugal dominou o Brasil (sua principal
colônia) e alguns países africanos, tendo por isso mesmo
facilidades para ganhar muito dinheiro no tráfico negreiro. A
Espanha dominou o restante da América Latina, dividida
(diferentemente do Brasil) em vários países. Por outro lado, França
e Inglaterra (além da Holanda, em parte) também buscaram terras
para dominar. Assim, EUA e Canadá se tornaram colônias desses
países europeus, assim como muitos outros africanos e asiáticos.
Bem, mas de todos esses casos, a maior parte precisou lutar até a
morte pela sua Independência.
Mas no Brasil, foi diferente. Para começar a se
tornar notória nossa tradição pacifista e pouca tradição bélica
(dou graças a Deus por isso), quando D. Pedro I deu o grito da
independência, não se levantaram exércitos da metrópole nem
irrompeu alguma revolta interna. Ele talvez estivesse disposto a dar
a vida, mas talvez soubesse de antemão que isso não seria
necessário. E assim, olhando hoje para a história e vendo a
história na qual estamos inseridos, fico pensando se não houve luta
porque talvez ninguém tivesse levado a sério o nosso amigo D.
Pedro. Talvez a metrópole (mesmo que estivesse enfraquecida) tivesse
olhado para a sua atitude sem dar muito crédito. Talvez ninguém
acreditasse que ele levaria aquilo adiante. Talvez alguém tivesse
dito: “é da boca pra fora” ou “é conversa fiada”. E vemos,
hoje que o Brasil não está realmente independente. Governantes,
metrópole, povo, trabalhadores, nativos e estrangeiros: a maioria
não acredita que somos independentes. Uma boa parcela de cada um
destes grupos não acredita que nos tornamos adultos (como país) e
autossuficientes. Talvez sejamos como aquele filho jovem que o pai e
a mãe não percebem que já cresceu, já faz as barbas, já se veste
sozinho e continua a ter o pai e a mãe como babás e fiscais de suas
atitudes. Talvez nos considerem assim, mesmo que queiramos ser
independentes.
Por que, tendo reservas naturais e fontes
alimentícias tão abundantes, vemos muitos passando fome? Por que
precisamos depender de mais empréstimos, a cada dia, de países e
organismos estrangeiros, como se não pudéssemos nos sustentar com
nosso trabalho? Por que precisamos aceitar imposições? Por que
quando vamos ao shopping, ao supermercado ou outro lugar qualquer,
valorizamos o produto importado e não contribuímos para gerar
emprego dentro de nosso próprio país?
Me pergunto se estamos realmente independentes.
Talvez falte um sentimento de ser brasileiro. De olhar com orgulho
para o lugar onde nascemos e dizer: este é o melhor país do mundo
para se viver. Talvez falte perceber que, além de sermos o 5º maior
país em extensão territorial, de termos a maior reserva de água
potável do planeta, somos também uma das 10 maiores economias
(apesar da má distribuição de renda) do mundo. Demos ao mundo o
avião, a fibra ótica e muitos outros benefícios. Temos a maior
floresta tropical do mundo, o melhor futebol e vôlei e estamos entre
os melhores em muitos outros esportes, apesar de termos um dos povos
mais criativos do mundo e não termos o péssimo hábito de sair
matando gente mundo afora.
Precisamos caminhar pelas próprias pernas. Ter
orgulho de sermos brasileiros e parar de ficar pedindo dinheiro
emprestado aos outros. Precisamos viver por nós.
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Algumas vezes, em virtude de problemas de
comportamento com jovens e adolescentes, algumas pessoas sugerem, por
exemplo, que se coloque aulas de religião obrigatórias nas escolas.
Sem rodeios, digo que sou contra, e sou pastor protestante. Acho que
a religião a seguir é uma destas decisões que não podem ser
feitas por procuração, não podem ser forçadas, não pode ser
induzida. Cada pessoa precisa decidir por si.
Seria muito bom que, se a pessoa tem dúvidas, e
os pais ou círculo de pessoas próximas (parentes e amigos) não lhe
deram informações suficientes para uma decisão, então seria bom
que esta pessoa procurasse se informar, de forma séria, consultando
seu coração e pesquisando, com um intenso desejo de descobrir o
caminho certo, de encontrar-se e encontrar ao próximo, encontrar a
Deus. Mas não deve ser influenciada de forma tendenciosa. A decisão
final deve ser espontânea e consciente. Então, sou contra aulas de
religião em escolas. Religião precisa ser buscada, por quem se
interesse, em igrejas, em locais especializados na religião.
Mas com relação às escolas, acho que existe sim
um auxílio que esta pode dar. Há alguns anos atrás, eu estudei, na
escola, uma matéria chamada EMC (Educação Moral e Cívica). Desde
a 4ª série do ensino fundamental até o 1º ano do ensino médio,
tive aulas de EMC. Estranho, enquanto eu estava estudando esta
matéria, não entendia o que se aprenderia numa aula, de uma matéria
chamada “Educação Moral e Cívica”. Eu não tinha a menor ideia
do que era moral, nem do que era civismo (e nenhum professor desta
matéria tampouco me explicou isso ao longo dos 6 anos em que estudei
essa matéria, o que é surpreendente).
Hoje, eu não posso dizer que sei, mas posso dizer
que arrisco um entendimento de Moral e de Civismo. Talvez todos
possam se arriscar a ter um entendimento melhor, muito mais em
virtude de tudo o que temos visto, lido nos noticiários.
Tendo um entendimento melhor do que é Moral e do
que é Civismo, surgiu-me outra dúvida. O que será que pensavam os
didatas que preparavam o currículo desta matéria, ao incluírem
aulas sobre as guerras do Paraguai e sobre a Inconfidência Mineira,
sobre a Revolução Paulista e sobre nomes, generais, heróis, siglas
etc. etc. etc.
Qual seria, para esses didatas, o conceito de
“civismo” e de “moral” ao incluírem letras dos hinos
nacionais, à bandeira, sem que pudéssemos refletir e pensar sobre
os motivos que nos levam a ser brasileiros? Significa civismo saber a
letra de um hino e não ter amor à Pátria? Qual a relação que
teria sido feita entre moral e o fato de aprendermos a dignificar
pessoas que morreram em guerras? Que mataram em guerras? Será
civismo o fato de nos alegrarmos com a morte de milhares de irmãos
Latino Americanos, massacrados por um conluio de três países? Estou
confuso. O que é “Educação Moral e Cívica” para estas
pessoas? O que realmente ele queriam nos ensinar?
Será que alguém saberia qual era a intenção?
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Esse é um problema que assola todos nós, direta ou indiretamente. Não escolhemos, às vezes, ser
envolvido no problema mas, sem escolha, somos envolvidos muitas
vezes.
É certo que temos de fazer a nossa parte, cada um tem, para
banir (pelo menos diminuir) este mal do nosso meio e impedir que as
drogas façam parte da vida dos jovens, crianças (que absurdo! Já
está alcançando as crianças!) e adultos.
Muitos já sabem o que precisam fazer
quando alguém da família revela (ou descobre-se) ser um dependente
químico, um viciado. O diálogo, que muitas vezes faltou na infância
e adolescência, agora é o principal remédio, aliado a uma clínica
de recuperação, auxílio psicológico e médico, espiritual e
familiar. A presença da família, neste momento, é essencial. E não
digo presença física, digo presença real. A pessoa com problema
precisa sentir a presença dos entes queridos ali por perto, neste
momento de crise. Se esta presença tivesse sido real desde a
infância, a possibilidade de chegar às drogas teria sido quase
nula. Muitos dizem que estavam presentes, mas era só presença
corpórea, não real. Estavam ali na sala, mas não estavam ali com
ele. Muitos pais estão na mesa da cozinha com a família mas, na
verdade, estão em outro lugar, sabe Deus onde.
“Não basta amá-los, é preciso
que saibam que são amados” (Dom Bosco).
Porém, quero chamar a atenção da
sociedade toda para este mal. Não é só a família que sofre e que
precisa tomar atitudes. Toda a sociedade sofre. Às vezes, sem ter
nenhum viciado na família, você já foi vítima de um assalto na
rua ou em casa, causado por um jovem que precisa de dinheiro para
alimentar o vício. Às vezes podemos fazer algo com relação a
isto. Não podemos impedir o assalto, mas podemos desencorajar a
lucratividade dele.
Quando um aparelho de som é roubado
de sua casa, um celular ou uma televisão, na maioria das vezes é
para vender e conseguir dinheiro para drogas. Porém, para que se
venda, é necessário que alguém compre. Geralmente, para ser uma
compra atrativa, é oferecido por um preço bem abaixo do mercado e o
comprador, ingênuo, nem percebe que está ajudando o tráfico de
drogas e na destruição de vidas de jovens!
Podemos fazer algo. Podemos estar
atentos e não aceitar produto fácil. Se uma televisão custa R$
3000,00 numa loja que tem funcionários para pagar, aluguel, IPTU e
outros impostos e muitas outras despesas e está sendo oferecida por
R$ 200,00 na porta da sua casa, desconfie. Temos de tomar uma atitude
porque este hábito de querer “levar vantagem” em ofertas deste
tipo causa uma grande “desvantagem” pra sociedade e
principalmente para a família do jovem que está fazendo girar o
círculo do tráfico de drogas.
Ora, o tráfico é lucrativo porque o
viciado faz “qualquer coisa” para conseguir o dinheiro para pagar
pelo vício. E ele sabe que, se não paga, morre mesmo. Então o
círculo se perpetua. Se cada um de nós, e todos nós, fizéssemos a
nossa parte em quebrar este círculo em alguns pontos, a força
diminuiria. Mas, mesmo que não resolva, vamos fazer a nossa parte,
certo?
Lucas Durigon
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deve ter achado engraçado ou ter ficado indignado.
Sim, porque qualquer trabalhador mais ou menos honesto neste país
sabe que uma declaração dessas, vinda de quem veio, só pode ser
piada. E, em certa medida, é. Mas, olhando do ponto de vista do
próprio ex presidente Lula, eu até que entendo o que ele quis
dizer. Não concordo, mas entendo.
Embora, dita por quem foi dita, essa declaração beira ao absurdo, a
verdade é que muitos dizem coisas parecidas todos os dias, das quais
outras pessoas acham absurdo ou que seja piada. Isso acontece porque
este tipo de declaração é feita por pessoas que vivem fechadas em
ambientes tão profundamente arraigados em algum tipo de conduta, que
se veem como exemplos a ser seguidos, apesar de serem pessoas de
conduta semelhantemente ruins.
É que as pessoas baseiam este tipo de conclusão de acordo com a
referência moral e de conduta que têm. Eu explico:
Tomemos o Lula, por exemplo, nesta declaração dele. Vivendo no meio
em que ele vive, ele deve ter visto e vivido coisas absurdas lá,
exemplos de desonestidade que fariam o tinhoso ficar arrepiado.
Acredito que, talvez, a sociedade brasileira um dia venha a saber de
coisas que vão deixar muitos mais de cabelo em pé ainda do que já
estão. Talvez o ex presidente saiba de coisas que o façam pensar
que o que ele fez não é nada ou, como se diz por aí, “é
fichinha”. Assim como no passado, ficávamos indignados com os
absurdos do Paulo Maluf, que era inclusive citado como exemplo de
corrupção, quando se falava do assunto, e hoje é tratado como um
estagiário na área, talvez venhamos a perceber que o Lula também
estava apenas aprendendo o ofício, quando soubermos dos verdadeiros
desmandes nesta área.
Neste sentido, o ex condenado Lula (porque o STF disse que ele não é
mais condenado, apesar de não ter sido inocentado!) se vê num meio
tão moralmente corrompido que se acha “um santo”, se vê, a si
mesmo, como exemplo de conduta e pensa de si mesmo que o que ele fez
não é nada. Porque, comparado aos seus companheiros na política,
talvez ele seja, realmente, um aprendiz. Essa é a percepção dele
que, num meio tão sujo, se vê limpo, ainda que esteja coberto de
lama. Porém, quando algum brasileiro trabalhador olha para ele, o
enxerga como o mais sujo de todos, porque a referência do
trabalhador é outra. Embora, no meio de qualquer grupo social haja
um pouco de sujeira e desonestidade, em alguma dose, não é nada que
se compare ao que fazem alguns dos nossos políticos.
A questão toda é sempre o ambiente do qual temos a referência de
comparação para analisar este tipo de coisa.
Funciona assim: imagina que a honestidade, ou mesmo outras
características morais como sinceridade, bondade, generosidade e por
aí vai, pudessem ser medidas de forma objetiva, como quando
respondemos uma prova de matemática e podemos dizer que nota
tiramos. Imagina que estas características citadas acima pudessem
receber notas de 0 a 10, como nas provas escolares. Então, imagina
uma pessoa que tem honestidade nota 4, mas que vive num meio e num
grupo cuja honestidade tem a média 2. Esse que tem nota 4, vai se
achar o máximo da honestidade, porque ele está acostumado a ver, a
viver no meio de pessoas que têm essa característica inferior a
dele, embora essa nota 4 (numa escala de 0 a 10) seja boa ali naquele
meio, ainda é uma nota baixa, inferior ao necessário para, digamos,
“passar de ano”. Não é aprovável. Diríamos que, se uma pessoa
tivesse nota 7 de honestidade, embora não fosse perfeita (quem é?),
teria uma nota suficiente para “passar de ano” ou, pelo menos,
ser aceitável na sociedade como alguém considerado “honesto”.
Mas aquele de nota 4, só pensa estar bem ao se comparar com o seu
grupo, nota 2. Porque, de resto, ele está bem ruim.
O fato é que quando esta pessoa nota 4, que se acha o máximo
enquanto está vivendo naquele grupo cuja honestidade não passa de
2, muda-se para um grupo cuja honestidade tem média 8, por exemplo,
então ele vai se sentir um verdadeiro lixo. Porque, o que antes era
superior e, por isso mesmo, ele não via a necessidade de melhorar,
afinal de contas, já estava bem acima da média daqueles com quem
convivia, agora convivendo num local cuja média é muito maior que a
sua, será visto pelos novos pares como alguém realmente desonesto.
Esta é a questão da referência de comparação que todos usamos,
sem perceber, o tempo todo, para nos qualificarmos a nós mesmos e
aos outros. Geralmente, nossos julgamentos são feitos com base nessa
comparação relativa. E isso não é bom. O ideal seria que nossa
referência fosse algo máximo, aquilo que fosse o exemplo máximo em
cada área (honestidade, sinceridade, bondade, generosidade,
inteligência, cultura etc.) e, buscando esse máximo, agora sim uma
referência incontestável, considerássemos que ainda falhamos, por
não ter alcançado tal medida. Essa consciência humilde de nossa
fragilidade nos manteria humildes e dispostos a melhorar sempre, e
não ficar estancados onde estamos, por achar que já somos
superiores.
Esse mesmo tipo de problemas na comparação se dá em várias áreas.
Imagina que você é um aluno de escola, num lugar onde a média da
sua classe em matemática não passa de 3, mas você mantém uma
média de 6, nesta classe. Parece ótimo, só que a escola exige 7
para passar de ano. Então, mesmo sentindo-se o máximo, no local
onde está, por causa dos outros, ainda assim não conseguirá passar
de ano, se aprovado. E, mesmo que seus pais digam “olha, você
precisa melhorar, porque desse jeito não vai passar de ano”, você
pode sentir-se tentado a argumentar com seus pais “mas melhorar o
quê, se já sou o melhor da classe?”. E essa “verdade” é
apoiada numa referência deturpada, ao se comparar com o restante da
classe, toda de reprovados.
Então, numa escola, numa escala de 0 a 10, existe o excelente, o
máximo, que é o 10, o que deveria ser o objetivo de todos. Mas
existe o aceitável, o aprovável, que é o 7. Abaixo disso, não é
aceitável, e a escala desce, até o máximo reprovável, aquela
situação em que “não tem jeito”. Porque quem tem 6 ainda está
perto de se tornar aprovável. Mas e quem não sai do 2 ou 3, será
que tem jeito? Somente com muito, mas muito esforço mesmo. Eu diria
o mesmo para a questão da honestidade. Somente com muito esforço.
Mas, o primeiro passo para quem deseja sair de um nível reprovável,
é admitir que precisa melhorar. Assim, o aluno com nota 6 numa
classe média 3, precisa entender que ser o melhor nestas condições
não é suficiente. Ele não pode se comparar com os outros alunos de
sua classe, porque nem ele, nem os outros conseguirão nota mínima
para aprovação, que é 7, e serão reprovados. Mas, enquanto este
aluno se julgar o melhor, naquela classe, nunca passará de ano!
Entende a analogia?
Mas eu entendo, do ponto de vista do ex sindicalista Lula, que ele se
julgue a alma mais honesta do Brasil. Na verdade, o meio ambiente
onde ele vive, pode até ser que com nota 4, se julgue melhor do que
o grupo, com média 2! A verdade é que ele não tem mérito, nesta
área, sequer para ser aprovável (ter uma nota, digamos 7). Que dirá
para ser o melhor (nota 10).
Essa analogia toda das notas é só para nos fazer refletir e
perceber que muitos de nós julgamos assim em muitas coisas. E
tornamos nosso julgamento falho, muito corrompido pelas
circunstâncias e meio onde vivemos.
Eu poderia ainda dar o exemplo de um adulto formado no ensino médio,
que vive numa cidadezinha onde a grande maioria não tem sequer
ensino fundamental completo, onde muitos sequer saibam ler e
escrever. Esse adulto, que tem o ensino médio e se julga o “guru”
e o sábio daquela cidadezinha, cuja inteligência tem, digamos, uma
nota 5 num local onde a média é 3, poderá se achar o homem mais
inteligente do mundo, até mudar-se para um local onde a maioria da
população tem formação superior e muitos têm doutorado. Bem,
neste novo local, aquele sábio da vila, passa a ser considerado e
visto como um ignorante. É que, no novo local, que tem uma nota 8 no
quesito conhecimento, vai considerar pouco aquela nota 5 do homem que
veio da vila com nota 3.
Tudo é uma questão de referência. De saber “comparado ao quê”
eu me avalio.
Por isso, acredito que todos deveríamos ter como base o máximo. Uma
referência absoluta, não relativa. E então, buscar alcançar esse
máximo (10), sabendo que já será suficiente se, nesta busca,
formos aprovados (com nota 7), e pudermos então buscar melhorar
para, aí sim, contribuirmos com a melhoria do mundo ao nosso redor.
O problema é que a sociedade tem diminuído muito sua referência
para estas questões. Tem diminuído muito seu padrão de qualidade e
de exemplo a ser seguido. E aí, qualquer “zé ruela” passa a ser
modelo a ser seguido, porque a média vai ficando cada vez mais
baixa. Lula chegou a se comparar a Jesus Cristo. Agora, já pensou,
trocar o exemplo máximo da história mundial, o filho de Deus, pelo
cachaceiro Lula como exemplo a ser seguido? Pior é que muitos já
fazem isso.
Mas a verdadeira referência, o modelo a ser seguido, está bem acima
de tudo isso. O exemplo de Jesus, da Bíblia e, a partir destes,
também dos grandes homens da história, que têm sido cada vez menos
conhecidos pela sociedade.
É que muitos preferem escolher um exemplo a ser seguido mais
simples, para não se sentir tão abaixo e não ter tanto trabalho
assim para melhorar. Acredito ter sido numa tirinha do Garfield (o
gato comedor de lasanha) que li certa vez: “Quer se sentir um
vencedor? Cerque-se de perdedores.”. É uma maneira de sentir-se
melhor, embora não o torna um verdadeiro vencedor.
Precisamos manter a referência lá acima, mesmo que não consigamos
alcançar. Mas, pelo menos tentar, para manter a média mais alta.
Senão, daqui a pouco, em nossas escolas, nota 4 será suficiente
para passar de ano, daí imagina o bando de analfabetos formados que
teremos espalhados por aí.
Crime é crime! Certo? Isso mesmo. Um roubo, um
assassinato, o aliciamento de menores para o tráfico, um estupro.
Crime é crime. Antigamente, falava-se que aqueles que roubavam
comida, muitas vezes era para se alimentar, dar de comer para a
família e tudo o mais. Há algum tempo atrás, poderíamos dizer que
este era o principal motivo dos assaltos referentes a gêneros
alimentícios. Hoje, nem tanto.
A má distribuição de renda ainda faz muitas
vítimas no Brasil. Por isso, muitos ficam sem ter o que comer.
Alguns destes, no momento de desespero em ver seu filho chorando de
fome, pode até realizar algum furto a fim de suprir as necessidades
dos filhos. Não é um crime pior do que aquele funcionário de um
estabelecimento que tem o péssimo hábito de “levar emprestado”
um item da empresa para suprir um desejo de consumo ou uma
necessidade real. Porém, neste caso, creio ser um crime de roubo
pior, pois estamos falando de alguém empregado. Por outro lado,
alguns destes funcionários não têm um salário digno, gerando
indignação e revolta contra o proprietário, que sente-se
pressionado pela cascata de impostos e, ao mesmo tempo, também
deseja dar uma vida digna para sua família através de seu
empreendimento. Nem todo empresário está “nadando em dinheiro”.
Alguns são heróis, mantendo empregos que já deveriam estar
extintos e, desta forma, auxiliando outras famílias a terem uma
renda, ainda que, em alguns casos: pequena. Neste caso, aquele que
gera impostos extras para suprir sua própria ostentação também é
um criminoso. Aquele que desvia verbas e tira de quem precisa para
colocar no seu próprio bolso também o é.
Temos ainda aqueles que se tornaram criminosos
para sustentar um vício, gerado talvez pela falta de apoio familiar,
pela falta de perspectivas futuras, pela falta de estímulo ao
frequentar uma escola degradada e fraca. Talvez incentivado e
aliciado por alguém que bate à porta da escola para convidá-lo a
“ganhar um dinheirinho fácil”. Estes que precisam sustentar o
vício, quando não têm dinheiro para tal (como aqueles que o
sustentam com a mesada do pai, igualmente criminoso por não
fiscalizar onde o filho põe o dinheiro), furtam algum material, que
precisa ser revendido para gerar o dinheiro necessário para o
pagamento de dívidas. Aqueles que compram material de origem
duvidosa são igualmente criminosos.
No Brasil, só vamos ver resultados se combatermos
todas as frentes que instigam à criminalidade: Pais que não dão
atenção aos filhos, escolas que não fornecem um ensino de
qualidade, traficantes que aliciam menores, receptores de materiais
roubados, governos que aumentam impostos, corruptos que desviam
verbas, funcionários que prejudicam empresas, empresas que não
pagam salários dignos. Todos são culpados.
Todos são, em maior ou menor grau, criminosos.
Alguns precisam de orientação e ensino, outros de punição e
correção. Porém, precisamos ter em mente que o problema é nosso.
Todos estamos envolvidos. Todos precisamos colaborar.
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Estive dando uma olhada nos super-heróis de
antigamente: Super-Homem, Mulher Maravilha, Hulk, Homem-Aranha,
Capitão América, Flash e tantos outros que povoaram e povoam até
hoje o imaginário das pessoas. Em contraposição, observo os
“heróis” que surgem hoje em dia: pokemon e seus treinadores,
Dragon Ball, Mega Man e tantos outros que surgem aos montes.
Me pergunto porque estes de ontem ainda surgem (e
ressurgem atualmente, com os relançamentos do Homem Aranha, Hulk,
X-Men e outros no cinema) e povoam as mentes dos adultos (crianças
de ontem) e ainda conseguem cativar crianças de hoje. Mas os atuais
não conseguem cativar tanto e não duram tanto também?
O que será que cativa naqueles que não chama
atenção nos atuais? E uma característica comum me chamou a
atenção: os super-poderes. Já notaram que os heróis de ontem
tinham superpoderes exclusivos e marcantes. Que eles, apesar da
aparência humana, não eram humanos, mas ganhavam super-poderes
justamente por não serem humanos (O super-homem veio de kripton, o
homem aranha é um híbrido, resultante da ação de uma aranha
radioativa, o Hulk teve alterações causadas por exposição
radioativa, os X-men eram mutantes e assim tantos outros).
Os superpoderes e estas características os
diferenciavam dos seres humanos “normais” e os colocava a uma
distância segura, no imaginário de cada um, sem causar qualquer
confusão quanto à identidade e à singularidade daqueles em relação
a nós mesmos. Gostávamos de ver suas vitórias, baseadas nos
superpoderes e, com exceção de algum possível garoto que tenha
tentado voar pela janela do 10º andar pensando ser o super-homem,
não se sabe de alguém que pensasse ter a velocidade do Flash ou que
pudesse realmente se tornar verde e grande como o hulk. Fora das
brincadeiras de criança do tipo: “eu sou o capitão américa”
quando vestíamos as roupas típicas deles e fazíamos de conta que
éramos super-heróis (e o código de honra da moçada fazia com que
o “inimigo”, na brincadeira, acreditasse que tais poderes
existissem). Bem, fora dessas brincadeiras, ninguém pensava ser
realmente o Homem-Aranha (se alguém tentou escalar alguma parede,
logo percebeu a impossibilidade).
Essa fantasia infantil era saudável. Povoava o
imaginário, aguçava a criatividade, estimulava a busca de novas
brincadeiras e interações sociais. Afinal, entre os super-heróis,
haviam as sociedades (X-Men, Liga da Justiça, Os Incríveis, Os
Marvel, Vingadores etc.) que lutavam unidas e os “inimigos”, que
deviam ser derrotados. Assim, ao reproduzir a brincadeira, deveriam
ser reproduzidas as interações sociais também. E a presença dos
superpoderes não deixava ninguém na dúvida: aquele era um mundo. O
meu mundo era diferente, real e não se misturava com aquele. Mesmo a
característica comum a todo super-herói de precisar se
“transformar” (Hulk), mudar de roupa (homem aranha, super homem,
flash etc) ou o fato de não ser um humano facilitava essa distinção.
O mundo da imaginação ficava lá. E eu aproveitava dele quando era
saudável e no momento certo. E o meu mundo ficava aqui.
Hoje em dia as coisas mudaram. A distinção não
é tão clara. E me pergunto se isso faz bem às crianças de hoje.
Os heróis de hoje se resume a poderes que são habilidades em artes
marciais, dando a impressão de que qualquer treinamento intenso numa
academia poderia gerar os resultados que se vêem na televisão.
Talvez muitos busquem isso, sem a tão clara e fácil distinção de
antigamente.
Os heróis de hoje se resumem a saber lutar mais e
melhor, a receberem cargas extra de força em seus próprios corpos,
como que um anabolizante ou super-vitamina pudesse resolver o caso e
não têm um ponto fraco em especial, mas são como os seres humanos,
só que mais treinados, mais fortes.
Na época do super-homem, ninguém buscaria ter a
força dele, pois sabia que era oriunda de outro planeta, reforçada
pelo sol, diferente da nossa realidade, impossível de se obter.
Hoje, talvez alguém busque ter a força de algum desses
super-heróis, que fazem treinamentos, pois pode parecer possível
tomar anabolizante e passar horas numa academia de musculação e
artes marciais e, depois, sair de lá “lutando contra o crime”. A
fantasia se mistura com a realidade. Isso porque a linha que antes as
separavam agora é tênue demais. Antes era bem distinta. Agora é
muito discreta.
Talvez o ser humano precise de super-heróis, de
elementos fantásticos que aguce a imaginação e a fantasia. Mas
talvez eles precisem estar bem afastados da nossa realidade. Assim
ninguém vai ficar tentando bater no outro pensando que tem uma
superforça.
“A análise do sociólogo se une à maneira como
o psiquiatra Francisco Assumpção avalia os jovens de hoje. 'Em
linhas gerais, trata-se de uma juventude sem utopias, sem ídolos,
sem heróis ou ideais. E essas referências são importantíssimas na
formação de paradigmas, acordos morais e valores pessoais, assim
como no desenvolvimento da identificação social', diz. Como
consequência de todas essas ausências, a vida perde em
significações, os jovens tendem a centrar seus objetivos na
satisfação pessoal, restringindo suas ambições e sendo presa
fácil do tédio ou da frustração. 'O aumento da violência juvenil
e do uso de drogas pode ser entendido como maneiras de preencher esse
vazio', diz Francisco.” (Superinteressante. Jan/2003. Edição 184.
Pág. 61. “Como ela pôde?”)
Assim, ter um momento de fantasia é importante
para a saúde mental. Manter essa fantasia distanciada e claramente
distinta da realidade é mais importante ainda.
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Não
saber usar o dinheiro pode até trazer tristezas.
(... leia o artigo anterior)
“Porque
o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa
cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com
muitas dores.”
(1
Timóteo 6: 10)
Essa é a realidade de quem nunca se farta, que busca, busca e nunca
celebra. Daqueles para quem nunca é o bastante. E não é uma
questão de quantidade absoluta, mas sim relativa. Uma pessoa pode
ter apenas uma pequena casa e não estar contente com isso, querendo
algo mais, sem necessidade, desprezando o pouco que tem. Irá se
automutilar com muitas dores emocionais. Assim também alguém pode
ter mansões, carros, helicóptero, iate e também não considerar o
bastante, não tem fim sua cobiça. Viverá infeliz. “Quem
amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância
nunca se fartará da renda; também isto é vaidade.”
(Eclesiastes
5: 10)
Porque,
se eu amo a abundância ou o dinheiro como um fim em si, isto não
traz nenhuma satisfação, nenhuma sensação de plenitude, de
objetivo alcançado.
Mas
ainda tem algo que precisa ficar claro. Viver sem dinheiro algum
também não trará nenhuma felicidade. Não ter condições de dar
de comer ao próprio filho não deixa ninguém feliz ou contente.
Também viver sob constante ameaça de ser despejado de casa por não
ter, nunca, como pagar o aluguel, não deixa ninguém feliz! E não
ter condições de poder ir ao trabalho, por falta de dinheiro para o
transporte, não deixa nenhum trabalhador, que precisa sustentar sua
casa, em situação de celebração.
Então,
a questão da quantidade é o seguinte: Cada um de nós precisa ter,
no mínimo, o dinheiro necessário para uma vida digna, junto com sua
família. Enquanto não atingir esse ponto, ainda há falta de
dinheiro, este nível, no mínimo, precisa ser alcançado. Existe um
patamar mínimo que, se não for alcançado, também será motivo de
tristeza constante. Mas isso é bem relativo.
Se
um casal sem filhos mora numa casa com 1 dormitório, mais barata,
para quê precisa gastar mais, procurando uma casa com 3 dormitórios,
se ainda não tem filhos, nem outras necessidades que exijam mais
espaço? Para quê gastar mais dinheiro, pagando por algo que não
precisa e ficar preocupado todo mês em se vai ter condições de
pagar? Deixa pra procurar uma casa maior, ou construir um quarto a
mais quando for necessário e tiver os recursos para isso. Agora, se
a família tem 3 filhos, apenas 1 dormitório não será o necessário
para uma vida digna para esta família. As necessidades são maiores.
Este é apenas um exemplo.
De
acordo com a realidade de cada um, de cada família, a necessidade
muda e a quantidade de dinheiro também. Mas muitos não percebem
isso. Muitos comparam valores absolutos e, vivendo uma situação
mais simples, acabam por julgar aquele que necessita de mais, pela
situação em que vive.
Assim,
um casal com filhos não tem a mesma necessidade de um jovem solteiro
que more sozinho, ou de uma mulher que ficou viúva com 3 filhos pra
criar.
Da
mesma forma, um casal aposentado, com os filhos vivendo suas vidas e
tendo casa própria pra morar, recebendo sua aposentadoria todo mês,
não tem a mesma situação de um casal com filhos pequenos,
totalmente dependente deles, que pagam aluguel.
Então,
um jovem solteiro que mora com os pais e consegue seu primeiro
emprego para ganhar R$ 1000,00 pode ficar superfeliz em ter “tanto”
dinheiro para suas “necessidades”, uma vez que abrigo e
alimentação são supridos pelos mais. Se ele não souber usar, esse
salário de 1000,00 pode ser, inclusive, motivo de desgraça e
perdição para este jovem. O mesmo salário, para um pai de família,
que paga aluguel e tem mais 2 pessoas para sustentar em tão pouco
que chega a ser desesperador!
Por
outro lado, se um pai de família pode ter uma vida digna recebendo,
digamos 5 ou 7 mil por mês, sem ostentação, o mesmo salário para
um jovem solteiro, cujos pais precisem de ajuda para o sustento,
impõe a este jovem uma obrigação moral, social, religiosa e de
consciência a que lhe obrigue usar parte deste dinheiro para
retribuir a quem lhe deu a vida com um pouco de dignidade e conforto.
Se o não fizer, esse dinheiro lhe trará, com certeza, muitas
tristezas.
Os
exemplos são muitos. Ter sabedoria para usar o dinheiro não é
fácil, mas para que o dinheiro seja um meio de encontrar felicidade,
é preciso obtê-lo com trabalho, honestidade e integridade e usá-lo
com sabedoria. Não acredito que exista outro caminho. E não vejo
outro lugar de encontrar orientação de como fazer isso, que não
seja a Bíblia.
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